Jamal Von de Nacht

Jamal (Mascate)

Description:

Sempre bem vestido, limpo e com tranças no cabelo, este pequeno comerciante do norte poderia ser descrito como mais um dentre muitos jovens empreendedores de sua região. Porem a infância em um bordel, em companhia dos mais variados tipos sórdidos, e uma inteligência aguçada, fizeram de Jamal um homem perigoso, e um aliado astuto para aqueles que deseja ajudar.

Conhecido por muitos nomes, de acordo com a época ou o lugar que esteve, Jamal tem pele e cabelos negros, possui um senso de humor ferino e um código de justiça bastante peculiar. É adorador incontestável de sopa, excelente dançarino e amante de uma boa música, fato este que o impele a oferecer pequenas apresentações, geralmente em troca de algumas moedas e oportunidades de contatos. Embora raramente faça algo por pura boa vontade, estas pequenas apresentações costumam abrandar o humor deste sobrevivente das ruas, e se forem regadas com uma boa tigela de sopa quente, é provável que ele seja bastante razoável e talvez, generoso.

Bio:

- Vou te contar a historia de um garoto, filho de uma prostituta com um marinheiro desconhecido, parece que hoje em dia ele se chama Jamal.
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Esse garoto nasceu em um puteiro bem perto do mar, e acostumou-se desde muito pequeno a conviver com todos os tipos de pessoas e coisas, inclusive familiarizou-se com certos “aditivos”, que sua mãe costumava oferecer aos clientes. Fato este, que apesar da infância humilde, nunca fez o pequeno Jamal e seu irmão passarem grandes necessidades. Com uns de dez anos, a pequena família foi despejada gentilmente do “Descanso do mar”, a mãe dos garotos ficou bem doente, disseram que foi por causa da exposição prolongada a um preparado, o “véu dos sonhos”.

Em decorrência deste fato, o pequeno Jamal e seu irmão iniciaram suas “carreiras” ilícitas pelas docas de Port Ice, praticando pequenos furtos e negociando drogas por tavernas e prostíbulos. Por pouco mais de dois anos, os “dois negrinhos” como eram conhecidos, obtiveram relativo sucesso, graças à esperteza de Jamal, e a habilidade natural de seu irmão com uma faca. Mas duas crianças ganhando dinheiro em baixo do nariz de rufiões e outros ladrões, não poderiam passar despercebidas durante muito tempo, e logo uma pequena guilda local, recrutou os “dois negrinhos” para seus serviços.

- Acho que agora você já se lembra.

Durante alguns meses “trabalhamos” a serviço de alguns bandidos, e infelizmente a saúde da nossa mãe piorou rapidamente. Jamal notou que as coisas não estavam indo bem, e providenciou a mudança da nossa mãe para uma pequena vila ao Sul, aos cuidados de um curandeiro. Quando ele voltou pra cidade eu estava encrencado, eu devia fazer um roubo, coisa simples, entrar em barco, matar um ou dois, e roubar parte da carga. Mas era uma isca, queriam me ferrar, eu devia ser preso lá, e eles iam aproveitar a distração para tirar uma parte da carga que não podia ser inspecionada.

Jamal foi rápido, não sei como ele descobriu, vendeu a informação da carga de drogas, e na noite do crime, fugimos para o sul, esta foi à primeira vez que ele mudou de nome. Ele adotou um nome engraçado, Damian.

Sabíamos que viriam atrás da gente, e continuamos indo pro sul, porém nossa mãe foi piorando e o dinheiro acabando, por fim tivemos que ficar em uma vila bastante deprimente. Sem ter o que roubar e sem nossos contatos, a única coisa que restou a nos dois foi trabalhar nas fazendas, recolhendo esterco e abatendo animais. Depois de uns dois meses que chegamos, nossa mão se foi, morreu em uma cabana úmida e sem nenhum conforto. Enterramos ela perto de uma árvore, e um bardo velho foi lá dizer umas palavras, depois do enterro, ele quis nos ensinar umas coisas, eu gostava do velho, Jamal dizia que ele fedia.

Conhecíamos o velho da taverna, eu tinha uns quinze anos na época, Jamal uns treze. Durante uns dois anos, o velho nos ensinou a ler, escrever, dançar e a língua do povo do sul, porém como Jamal me disse anos depois, “Comecei a sentir o fedor de sopa estragada”. Em uma das viagens que fizemos ao norte, o velho bardo resolveu nos vender.

Meu pequeno irmão sempre gostou de facas sabe? Sempre carregava uma amarrada à perna, por baixo dos calções, e os idiotas não notaram. Depois que nos amarraram foram dormir, durante o tempo que passaram conosco falaram um bocado, e disseram por quanto o maldito velho tinha nos vendido. Eu valia 50 moedas e o pequeno Jamal 70, por ter vendido a informação da carga. Pois bem, ele cortou a maldita corda e matou dois deles enquanto dormiam, o terceiro que deveria estar de guarda tinha ido mijar, quando voltou nos dois esperávamos por ele, Jamal era meio desajeitado e o cara era bom, matamos ele, mas o maldito enfiou uma faca nas minhas costelas.

Não me lembro muito bem, mas de alguma forma meu irmãozinho me levou pra um curandeiro na cidade, o maldito tirou todo nosso dinheiro para cuidar de mim, depois que eu já podia andar, alugamos um quarto empoeirado, mas era quente e eu podia me recuperar. Jamal sumiu durante alguns dias, me disse que ia arrumar um dinheiro, mas depois eu soube onde ele foi, parece que encontrou o velho curandeiro gastando nosso dinheiro com uma garota, pois bem, o cara não acordou e a garota levou a culpa por ter matado aquele gordo. Eu não sei direito o que aconteceu com o velho bardo, mas Jamal voltou com o velho bandolim dele, e tinha também as moedas, 120.

Depois disso rumamos mais pro sul, Jamal aprendeu a usar direito uma faca, e paramos de dizer que éramos irmãos. Ele arrumou um bom negócio pra mim, eu comprava nossos aditivos e ele vendia pelas cidades, ele nunca gostou muito de barcos, me disse que ficava enjoado e fedorento por causa da marisia, pois bem, eu viajava e ele vendia, quando voltei em uma dessas viagens ele tinha sumido, parece que uns guardas mexeram com a garota dele, e bem ele não gosta de deixar barato.

Recentemente eu soube de um tal Jamal Mascate, para as bandas de Restov, arrumou alguma confusão por lá e sumiu, parece que são 250 moedas, talvez eu pague, ou talvez eu mate esses cobradores para o meu irmãozinho, parece coisa dele. Continuei farejando sabe? Perguntando aqui e ali, e alguém perguntou por mim um pouco mais pro norte, e eu soube também de umas colonizações mais pro Sul, bom lugar pra ir quando se esta devendo, mas ai eu tive que viajar aqui pro norte, e me lembrei de você. Éramos pequenos, mas eu me lembro, você gostava de bater nas suas meninas e quando nos pôs pra fora roubou boa parte do dinheiro da minha mãe, Jamal era pequeno, e eu ia jogar facas com ele pra ele não ver, mas eu me lembro, e agora estou pensando em ir encontrar meu irmão, e queria contar a ele que eu matei você, eu nunca contei pra ele sabe? Se não, ele já teria lhe feito uma visitinha, ele gosta dessas coisas.

Você não deve estar gostando muito da historia, língua cortada é foda né? Mas eu tava me lembrando da minha mãe e do meu irmãozinho, queria contar a historia pra alguém, e eu achei você de confiança. Mas agora ta ficando tarde e eu ainda quero dar uma caminhada, depois eu vou pro sul, vou encontrar meu irmão, seja lá onde ele estiver, deve estar precisando de uns “aditivos” pra vender.

A noite estava sem lua, mas um marinheiro acordou ao escutar alguma coisa caindo no mar, ao olhar para fora viu um homem alto de andar calmo descendo a prancha. Ao longe era possível escutar o barulho da algazarra do “Descanso do mar”.

Atualmente

Recentemente, Jamal na companhia de seu protegido Yohan partiu para o súl e reside na cidade de alvorada, posteriormente tomou outro jovem a seus cuidados, Ivan a quem ele chama carinhosamente de “O cruel”.

Fatos recentes o levaram a um desentendimento com a atual regente Yelena.

- Boa apresentação chefe – Disse Ivan se aproximando.

- Já disse pra não me chamar de chefe. Eu tenho cara de índio por acaso?

- Certo chefe – Respondeu com um sorriso irônico.

- Digam-me Ivan, a que devo a visita tão ilustre de um dos membros dos corvos negros?

- Hummm, a garota tem me enchido o saco. Todo mundo quer saber o que você anda fazendo.

- Espero que você tenha inventado alguma história, e claro, cobrado por isso.

- Obviamente chefe – Disse Ivan recuperando o sorriso irônico.

- Então Ivan, me diga, o que eu vou fazer?

- Acho que o senhor vai causar alguma confusão, e talvez depois vá embora.

Os dois continuaram andando, ao longe pequenos lampiões iluminavam duas árvores, as árvores de Bron, pensou Jamal.

- Chefe? O senhor não vai matar ela, vai?

Por um instante Jamal se sobressaltou, e traiu sua resposta antes de dizê-la. “Garoto miserável, é mais inteligente do que deveria ser” – Sabe Ivan, você me lembra alguém. Deveria tomar cuidado com o que diz, vai acabar arrumando problemas.

- O senhor não respondeu.

- Talvez Ivan, talvez, mas ela tem uma bela bunda, e eu não gosto de matar portadoras de belas bundas.

Ivan estava prestes a responder quando Jamal tentou arrumar o cinto.

- Merda, essa porcaria me cortou – A Bainha da fazedora de viúvas era mal feita, e ela nunca se encaixava como devia.

Ivan soltou uma pequena risada – Você deveria aprender de que lado se usa uma faca.

- Alguém já me disse isso uma vez – Jamal lembrou-se das chacotas de seu irmão, nas ocasiões que ele lhe dava aulas, e ao olhar novamente pra frente, vislumbrou as árvores de Bron.

- Ivan, me arrume uns bolinhos de fangberry.

- O que você vai fazer chefe?

- Vou tomar uma sopa quente, e depois vou voltar a cuidar da minha cidade. Isso aqui esta começando a feder.

Após a saída de Ivan, Jamal se deteve por mais um instante, e olhou para as árvores de Bron chupando o sangue no dedo. “Obrigado pela lembrança velho amigo, eu tinha esquecido que em um aspecto somos iguais, nós cuidamos dos nossos.”

- Depois da sopa, a bunda, cuidarei pra que ela continue sentando confortavelmente, afinal nem toda bela bunda tem uma regente – Disse Jamal pensando em voz alta, no momento em que andava de volta para a taverna, realizando pequenos malabarismos com a fazedora de viúvas.

Jamal Von de Nacht

Rapsódia em Vermelho e Verde Nino ighorb